domingo, 12 de março de 2017

Uma recordação singular

Esta semana dei por mim a navegar pela Internet, de volta a um fórum onde já não punha os pés há muito tempo. Incumbido de um sentido de missão invulgar, lá encontrei a leitura do mapa astral da qual tão boas memórias guardava. Quer por ter sido feita por uma perfeita desconhecida, quer por ter sido extremamente precisa e incisiva. Deixo aqui o resultado de tal exercício de análise astral "Dinâmico e entusiástico. Gostarás de seguir o teu caminho, ao teu ritmo. Possivelmente uma emotividade acentuada, oscilando entre um lado tímido e outro audacioso. Terás um forte sentido de instinto e protecção para com as pessoas. Não deves suportar que os outros interfiram nos teus planos, mas frequentemente sacrificarás muita coisa por bondade. Uma boa capacidade de análise e observação. A sexualidade será importante para o equilíbrio. A posição de Mercúrio indica que a mente não reagirá prontamente a ideias novas, mas uma vez que inicias um projecto, dificilmente desistirás. À partida irás preferir a experiência de vida, ao invés de contar com as experiências dos outros, ou aquilo que poderás aprender nos livros. No amor serás gentil, romântico e sensível, precisando de muito amor e ternura, no entanto talvez devido a uma sensibilidade excessiva, é bem possível que sejas muito vulnerável perante aquela a quem dedicas o teu amor. Boas capacidades artísticas, esta poderá ser uma boa via para canalizar a extrema sensibilidade. Esta posição de Vénus indica uma certa tendência para o auto-sacrifício e poderá haver uma certa atracção pelas pessoas infelizes e com problemas, que poderão ou não (consoante outros aspectos do teu mapa) aproveitar-se de ti nesse sentido. Sexualmente serás experimental e inovador. Simpático e sereno, deverás gostar muito de crianças e lidarás bem com dinheiro. Devido à posição de Saturno, possivelmente terás de lutar cedo na vida para alcançar sucesso, mas a dedicação existirá e com o tempo virá a confiança"

sábado, 11 de fevereiro de 2017

um segundo ensaio em menos de um ano - engraçado como a história se repete

Depois da última mensagem um pouco mais apressada, esta já dispõe de um tempo adequada para ser redigida.
A tónica desta publicação incide sobretudo na partilha do espaço e do tempo. A dificuldade inerente a cuidar do nosso eu quando estamos sempre acompanhados. A ausência de momentos a sós torna mais difícil a escuta da criança interior, ela que, normalmente, diz-nos para onde ir, ou, pelo menos, para onde não ir.
Daí continuar a usar este espaço, agora num contexto ligeiramente diferente. Preciso de um sítio para reflectir, sem interferências, já que não vivo sozinho e tento estar com quem gosto de estar sempre que possível. Mas importa sim fazer uma instrospecção para me encontrar, saber quem sou e quem quero ser.
Neste momento, sei que tenho alguns pontos fortes que quero continuar a desenvolver, como capacidades de comunicação de qualidade em seis línguas diferentes, capacidade de empatia superior ao normal, sentido superior de honestidade, compromisso e excelência a nível profissional, capacidade de olhar e maravilhar-me com as coisas do quotidiano como se fossem novidade, enorme capacidade de adaptação e um perfil rico em ideais e optimismo.
A saúde física é um aspecto ao qual me interessa continuar ligado profissionalmente, assim como a componente mental. Talvez não seja alheio a isso o facto de sentir alguma fragilidade a nível físico da minha parte, e tentar trabalhar isso o mais possível.
Gostava de estar sempre ligado a pessoas e até possivelmente ser líder de um projecto na área da saúde a nível transversal, algo que não propalasse soluções imediatas mas sim transformações graduais e duradouras na vida das pessoas, baseado também num regresso às origens enquanto ser humano e sobretudo numa desaceleração deste ritmo frenético que pauta os nossos dias.
Para isso, tenho de melhorar alguns pontos fracos que tenho, como a necessidade de aprovação dos outros, ter ideias mais definidas, alargar o meu mundo em geral, não abdicar das minhas coisas em função dos outros, saber dar e saber receber e não ter medo do primeiro momento de algo diferente, entre outras coisas.
Vou continuar a pensar no que quero para mim e vou orientar a minha vida para isso. Sem medos

PS - olho para a penúltima mensagem antes desta e lembro-me da situação que despoletou essa reflexão. É incrível como a vida é tão volátil e como o investimento no momento presente permite mudar tanta coisa, como foi o caso. Espero não esquecer-me deste ensinamento

sábado, 4 de fevereiro de 2017

a vivência em comunidade

Cada vez mais tenho menos necessidade de vir aqui escrever. Necessidade, disponibilidade, disposição ou dispositivo, algum deles há de falhar. Não é importante o motivo, mas sim a consequência.
Embrenhado no que é o ritmo frenético do dia-a-dia, do convívio com pessoas diversas e diferentes, é mais difícil ter um momento a sós com o meu lado introspectivo, que é tudo menos um lado lunar.
Que diferenças existem desde há uns meses para cá. A vontade, oportunidade e necessidade de dividir e partilhar espaço e tempo com mais pessoas tem contribuído para estar menos soturno e melancólico, tendo sido uma mudança positiva. Sinto-me a crescer e naturalmente isso traz alguns efeitos secundários menos positivos, as típicas dores de crescimento.
Tenho tentado ser disciplinado e meter o foco no dia-a-dia, ser agradecido pelo que aparece e aproveitar toda e qualquer experiência para aprender e crescer. Este estado mental obriga-me a um papel de observador que permanece suspenso ou afastado da realidade, deleitando-se com detalhes minuciosos e fazendo dos pormenores os aspectos mais importantes. A única certeza que tenho, como sempre, é a passagem do tempo ser inexorável e a existência efémera, mais do que nunca. Por isso gosto tanto da citação de Charles Chaplin que está no início do blog. Vai sempre servir de mote para um dia mais cinzento.

domingo, 8 de maio de 2016

Sonhos, desejos, ambições, metas, objectivos - coerência, mediocridade/normalidade ou excentricidade?

Ao longo da vida, existem momentos que nos projetam, de forma explosiva, contra a parede e obrigam à reflexão. Esses momentos dependem naturalmente da percepção individual e não podem ser avaliados de forma intrínseca.
Completadas que estão 26 primaveras, continuo a fazer da reflexão um posto. Talvez não tanto como antes, mas, como já referi, bem mais rápido e eficaz, sobretudo na parte da transição para a aplicação na vida real. O momento já citado foi mais uma desilusão trazida pela interacção com o sexo oposto. Correcção: não pela interacção em si mesma, mas pelas expectativas que, sonhando e idealizando como sempre faço, acabam por ser geradas. Ou seja, a solução encontrada para esse desencontro de expectativas foi, mais uma vez, modelá-las na minha pessoa, resolvendo o problema de forma interna. O rio continua a correr para o mar.
Talvez devido a esse pequeno momento, tenha identificado em mim uma resignação ou a ambição de obter algo que não depende, de todo, da minha pessoa. Dependerá de uma conjugação de factores não mensuráveis e ainda assim, com o meu perfil analítico como componente dominante, deixei-me levar por esse desejo. Desejo esse que advém da necessidade de ser amado e necessidade de companhia. Desejo esse que se tornou mais evidente devido à camuflagem de outros mais inspiradores. Ora foi precisamente este momento que permitiu aos desejos de segundo plano emergir e tomar as luzes da ribalta.
26 anos, jovem, sozinho, o Mundo por descobrir. Por que esperas tu?
Lancei um repto a mim mesmo. Está na altura de direccionar esforços para continuar a escrever o livro da minha vida. Vou começar a preparar dois mega projectos a partir do momento presente, algo que deverá ocupar a minha concentração.
Daqui a 5 anos, deverei ter condições para realizar a primeira volta ao Mundo, assim como percorrer a América do Sul de lés a lés numa bicicleta. São capítulos que não podem ficar na gaveta, esperando eternamente. Não ter medo dos sonhos, vamos abraçá-los e dar pequenos passos todos os dias para a sua realização!

sábado, 9 de abril de 2016

Suíça, seis meses depois e quase ao virar dos 25

Praticamente seis meses passaram desde que emigrei do cantinho lusitano. Não sendo a primeira experiência fora do país, é, sem dúvida, a mais longa. É possível considerar suficientemente longa para ter provocado mudanças profundas e significativas na personalidade, rotinas e objectivos de vida.
É inquestionável o poder de uma mudança tão radical. De repente, sentimos que os nossos horizontes são desbravados como se tivéssemos uma lâmina de diamante. Com um só golpe, sem esforço. Esse aumento de possibilidades deixa-nos um pouco atordoados inicialmente, como aqueles dias em que ainda estamos na cama e alguém abre os estores, permitindo a entrada da luz solar matinal. Esse raio de luz encandeia num primeiro momento, mas permite a constatação da beleza natural à distância de um vidro.
A mudança para um país cujo paradigma principal é a genuína e autêntica qualidade de vida, assim como o respeito pela pessoa, enquanto trabalhador e cidadão, acarreta certas benesses. A cultura do tempo livre ao fim-de-semana como algo imprescindível é contrastante com a cultura da exploração do empregado que prolifera em Portugal. A oferta que existe e a divulgação da mesma ajuda a atenuar um fim-de-semana enfadonho, se é que isso é possível. Por ser uma ilha no meio da Europa, é muito fácil deslocar-se até outros países fronteiriços, como França, Itália, Alemanha ou Áustria, opções inegavelmente interessantes para um fim-de-semana durante todo o ano, quer pela oferta, história, proximidade de acessos e baixo custo, em comparação com a Suíça.
Nem tudo é um mar de rosas, obviamente. Há uma diversidade de impostos a pagar que não lembra a ninguém, como o imposto para a Igreja e o imposto para os media (rádio e televisão). Por outro lado, são impostos que pagamos também em território luso, ainda que estejam disfarçados no meio de outras contribuições municipais. O valor das rendas é muito alto, mas a qualidade das casas está de acordo com a exorbitância exigida. No entanto, com um bom planeamento e organização financeiros, tudo é possível e nem é difícil.
Em relação aos locais, mantenho o que disse anteriormente. São pessoas mais distantes do que os portugueses, não existe a cultura de rua como nos países latinos, e acabamos por sentir falta disso, de uma forma ou de outra. Contudo, todas as pessoas são extremamente cordiais, sendo a boa educação algo transversal, havendo pontualmente uma ovelha negra aqui ou ali. Como em todos os países.
Uma última nota, porventura a mais importante.
Aqui sinto que cumpro os dois critérios que tendem a modelar a minha vida e as escolhas associadas.
O primeiro critério prende-se com a extrapolação da perspectiva sobre a minha vida, ou seja, tento perceber se, a partir de um ponto de vista externo, estaria contente com o caminho tomado, sobretudo se isto fosse uma história/um livro e eu fosse o leitor. Em suma, se gosto muito ou não da história que eu próprio escrevo todos os dias...a minha história. O segundo critério relaciona-se com a melhoria da qualidade dessa história, numa perspectiva emocional, ainda que mantendo a segurança que me permita não abdicar do primeiro critério. Em suma, será que neste momento reúno as condições para poder partir atrás daquilo que sinto, de quem gosto, de um momento para o outro e não ficar limitado por circunstâncias ou vicissitudes banais? Este sim...será o sal da vida e o salto qualitativo da minha história, numa retrospectiva futura, penso eu de que...

Um encontro momentâneo, uma dança efémera

Viver com outra pessoa torna-nos diferentes. Há um encontro de energias, hábitos, culturas e costumes, aos quais é impossível ficar indiferente. Somos obrigados a crescer, a deixar o nosso espaço, a nossa toca, o nosso ninho. O destino encarrega-se de definir a pessoa que nos cabe em sorte. No entanto, essa sorte afecta sobretudo a qualidade do nosso crescimento, empurrando-nos na direcção que pretendíamos, atirando-nos para o abismo ou desbravando caminhos desconhecidos.
A cumplicidade adquirida nessa convivência é algo mágico. Não acaba invariavelmente numa relação, embora essa cumplicidade seja condição quase indispensável numa relação. Aí está a diferença...
Quando vivemos de forma plenamente consciente, cada momento é uma oportunidade única de conhecermos um pouco mais da nossa pessoa, da outra pessoa e do ambiente em redor. Há um efeito de simbiose muito interessante que permite elevar a experiência a outro nível, um nível no qual reconhecemos que o todo vale mais do que a soma das partes. Daí que seja algo mágico.
Deixamos essa pessoa e voltamos à nossa solidão normal. Solidão por estar sozinho e não por estar só. A língua portuguesa não é suficientemente incisiva neste conceito... Voltamos a estar sozinhos e sabemos que já não somos os mesmos. A nossa plasticidade revela-se nas rotinas e gestos quotidianos, que, outrora familiares, agora parecem distintos. Encontramos o nosso novo Eu, a nossa nova rotina, mais uns passos na estrada deste caminho empedrado a que chamamos vida...

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Voando sobre os Alpes

Iniciei um novo capítulo da minha vida há cerca de sete semanas. A mudança para a Suíça.
Mais uma vez, a vertigem e a atracção fatal de mudar de ambiente, ganhar outras perspectivas e proporcionar experiências de enriquecimento pessoal, a todos os níveis. A sensação de estar cada vez mais apto e preparado para as situações confere uma auto-confiança à qual é quase impossível não ganhar apreço.
O facto de ser um país fora da União Europeia muda o cariz das burocracias. Há muito mais despesas fixas (a obsessão pelos seguros é, de facto, incrível), mas há um salário digno para fazer face a essas despesas. Sobretudo, tenho a sensação de que as coisas funcionam mesmo neste país, o que é algo completamente distinto em relação a Portugal, onde quem quer fazer ou tratar de algo tem sempre inúmeros obstáculos legais e logísticos.
Ao cabo destas semanas, posso fazer um balanço imensamente positivo. Já estou praticamente adaptado, sem oscilações de humor, contente com o país e com as pessoas. Não estou desiludido ou arrependido.
Há várias coisas que me atraem sobremaneira neste território: a diversidade de línguas e culturas é notável (num dia normal de trabalho falo três dos cinco idiomas em que sou versado), a beleza natural da paisagem é inegável, as pessoas são extremamente bem-educadas, estou rodeado de outros países magníficos, há uma enorme cultura de desporto e actividade física e sobretudo, na empresa onde estou, valoriza-se muito a pessoa/empregado. Isso é extremamente importante.
Há outras coisas que não me atraem tanto, mas são sobretudo aspectos inerentes a um povo de um país frio e sujeito a intempéries frequentes. Pessoalmente, acho que fiz muito bem e estou extremamente surpreendido com a minha adaptação. Veremos os próximos desenvolvimentos.